"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

tradutor

segunda-feira, 30 de julho de 2012

FIB OU PIB – O QUE É MELHOR?


Viver em sociedade é complicado devido as diversas adversidades da convivência em coletividade. Primeiro porque responsabilidades são impostas às pessoas – o que exige certos gastos. Segundo, porque a cobrança é tamanha, que não são raros os casos de problemas psicológicos ou familiares devido ao estresse. Tudo isso é negligenciado pelo PIB, que se atém apenas aos critérios econômicos, diferentemente do FIB. Este, nasceu com o intuito de medir o grau de felicidade das pessoas – algo impalpável –, ao contrário do PIB. Uma ideia que até poderia dar certo caso o homem não fosse um tanto materialista, e ao mesmo tempo egoísta.

Para muitas pessoas, pensar no significado da palavra felicidade é quase que instantâneo casá-la a palavra dinheiro. Se tornou banal pensar dessa forma. Pois, para o ocidental, tal situação lhe confere todos os luxos de uma vida confortável. No entanto, lá no Himalaia, num país bem pequeno chamado Butão, desde 1972, o rei instituiu a Felicidade Interna Bruta (FIB) cuja finalidade não fugiria a melhorar a vida de seu povo, sem necessariamente, ter todo o luxo possível.

O FIB avalia a saúde física e mental, o uso adequado do tempo, o grau de cultura, de educação, de influência ecológica e de vida social das pessoas, além do bom funcionamento do Estado. Para os butaneses “não existe felicidade se ainda há pessoas ao seu redor sofrendo”. Proposta aparentemente boa se comparada ao PIB, o então dito medidor de “Fracasso dos Governos”. Porém, os os dois medidores, mesmo diferindo em alguns pontos, não se sobrepõem no intuito de resolver as desigualdades sociais e humanas mundo a fora.

No começo do ano (acho que em Abril) li o texto “A felicidade interna do rei do Butão” na Folha de S. Paulo, em que Bruno Garschagen me fez começar a refletir sobre este tema que aqui discutimos. Ele disse uma algo interessante em seu artigo: como buscar a felicidade em países de estrutura-histórica estilo América do Sul se as condições básicas de inúmeras pessoas não são supridas? Falta saúde, falta educação, falta segurança... Se torna uma utopia o sonho-FIB na presença estatística de altos índices de desemprego e doenças. A motivação foi-se embora há muito tempo.

Enfim, conciliar felicidade e progresso econômico não é fácil. A felicidade depende da pessoa e o desenvolvimento econômico do todo. Dessa maneira, interligar o particular com a maioria se torna bem complexo. É uma briga de interesses. Só se é feliz quando a vida profissional e familiar vão bem para o homem contemporâneo. Só existe progresso econômico se todos trabalharem sem ter, necessariamente, felicidade coletiva. Uma pena. Que bom seria, assim, o bem-estar coletivo, mas nunca uma felicidade coletiva.