"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

tradutor

sexta-feira, 5 de abril de 2013

MARCO FELICIANO: SER DEPUTADO ou SER PASTOR?


Simanca em brasiliaempauta.com.br

Não é de hoje que as pessoas confundem certos assuntos (especialmente os polêmicos) com o viés religioso. Isso porque o raciocínio inflexível da Palavra Sagrada faz com que alguns religiosos levem ao pé da letra sua criação catequética para a sociedade. Isto é, como se outras crenças ou dogmas fossem totalmente errados, da mesma forma que determinados comportamentos sociais também. Quando um representante do povo expõe sua opinião ela deve, necessariamente, ponderar imparcialidade e honrar a população. Conduta ultrajada nas últimas semanas pelo até então presidente da Comissão de Direitos Humanos deputado e pastor Marco Feliciano.

Pelo menos no Brasil, sempre escutamos conselhos para não discutirmos sobre religião e política. Sobre o primeiro concordo evitar por ser de foro particular, mas sobre o segundo não por ser de foro público. Mesmo porque, vem da política as decisões que afetarão a vida de todos. Porém, as circunstâncias que envolvem Marco Feliciano tem relação com as duas temáticas: da sua dificuldade em separar as duas esferas. Dessa maneira, assuntos espinhosos como homofobia e racismo são julgados, analogamente, a doenças no púlpito por ele.

O uso da influência religiosa para modificar politicamente a postura da sociedade, tem sido uma das “armas” utilizadas por muitos pastores nas Igrejas. Malafaia, Valdomiro são exemplos, e agora, o senhor Marco Feliciano entra também para o rol. Criticar as pessoas baseando-se unicamente em suas experiências indica pré-conceito, limitação de conhecimento e de entendimento das diferenças. No caso, espera-se que um presidente de uma Comissão dos Direitos Humanos seja humano para perceber que os outros pensam e possuem sentimentos diferentes dos seus.

Toda essa polêmica em torno desse pastor é fruto de seus pensamentos bíblicos exagerados (e convenhamos, de muitos outros contra o deputado), por ser presidente da referida comissão. Se abrangermos a nossa análise, veremos que a própria Bíblia reprova a atitude do pastor: “Não julgueis para não seres julgado”. E, até a Constituição Federal, do mesmo modo, não incrimina, tecnicamente, as pessoas pela sua opção sexual. A tentativa de manipulação das pessoas pelo uso de leis é antiga e, ainda, certas minorias teimam usá-las. O Estado Democrático de Direito não tem o poder de comandar os quereres de seus cidadãos nem permitir que seus agentes públicos tomem deliberações por livre espontânea vontade. Ato torpe este escancarado na Câmara.

De qualquer maneira, apesar do Brasil ser predominantemente cristão há grandes chances de se liberar o casamento homoafetivo. Pode demorar um pouco, entretanto, o Estado laico não pode determinar suas decisões com base na Bíblia, assim como um deputado também não. O pastor Marco Feliciano tem que aprender a parar de misturar os conceitos. Pois, destarte, já dizia Maquiavel em seu livro que devemos saber distinguir o público do privado. Só então alguém com Poder saberá corretamente manuseá-lo a favor de todos, e não seguindo ideias próprias.

***VÍDEOS

*ENTREVISTA - DEPUTADO MARCO FELICIANO À FOLHA DE S. PAULO


*AGORA É TARDE - com MARCO FELICIANO

*FELICIANO CITA "SATANÁS" COMO PREDECESSOR A ELE NA CDHM

*"O BRASIL VIVE NUMA DITADURA GAY", diz MARCO FELICIANO

* SILAS MALAFAIA DEFENDE MARCO FELICIANO