"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

quinta-feira, 9 de junho de 2011

É NECESSÁRIO LER PARA CRESCER


Foi comemorado mais uma vez no mês de abril, dia 23 – há cerca de dois meses – um dos melhores amigos que o homem pode ter, o livro. Considerado dia de homenagem mundial, seria o momento em que todos deveriam parar com a finalidade de ler as melhores literaturas já feitas ou em produção. Pena que no Brasil esse dia tenha sido ignorado por muitos pela falta de interesse. Talvez a causa disso esteja no hábito da maioria das pessoas por aí: “nunca fui de ler livro”.

Creio não ser difícil o acesso à leitura para àqueles interessados em um mundo diferente. Um mundo mágico, proporcionado pelos narradores de livros, que estão encostados – infelizmente – nas prateleiras do país. Há locais de venda ou mesmo de empréstimos de livros. Basta procurar. No entanto, sei também que o Governo tem pecado (e muito) quanto a falta de incentivo à leitura. Pois a construção de uma sociedade é baseada justamente na capacidade de decisão, reflexão, proporcionada pela leitura.

Segundo Arnaldo Neskier, escritor pela Folha de S. Paulo, estamos em estrondosa deficiência no sistema educacional e na produção literária, se comparados aos países desenvolvidos. Os EUA produzem onze livros por pessoa, e a França sete, enquanto que o Brasil é pouco mais de dois por pessoa. Porquê essa situação ocorre? Falta de estímulos, ou quem sabe, preguiça? Provavelmente. Em uma nação que prefere formar jogadores de futebol ao invés de cientistas, não seria de se espantar esses dados.

O livro se fez uma das maiores invenções na história. E é por meio dele que se dá as possibilidades de se conhecer os valores, os saberes e a imaginação humana em seu senso estético pelas diferentes épocas. Com o advento da tecnologia, as “pilhas e pilhas” de livros virtuais cresceram gradativamente. Tanto que as super empresas já passaram a fabricar livros eletrônicos em formato de laptops e palmtops almejando um novo público. O problema é que justamente pela falta de interesse pela leitura, muitos jovens nem fazem usufruto da situação.

Apesar do surgimento de tantas inovações tecnológicas, é certo que o livro dificilmente sumirá. Porém, a entrada da tecnologia virtual do livro é valiosa para a difusão do conteúdo informativo. Mostrar a real importância da leitura à sociedade, seus benefícios econômicos, morais e construtivos seja ela por qualquer meio é precisa. Jogar a culpa da irresponsabilidade no Governo, nos pais, na própria pessoa que se alienaram é perder tempo. Correr atrás agora, é importante, no intuito de construir uma nação que leia, e quiça um dia “ter livros à mão cheia” para todos.

sábado, 21 de maio de 2011

O AUMENTO DA PASSAGEM DE ÔNIBUS




Foi autorizado pela Prefeitura de Goiânia na quarta-feira, dia 18 de maio, o aumento da passagem do transporte coletivo. Dos atuais R$ 2,25 passarão para R$ 2,50 sábado, 21. Um aumento de quase 12% que certamente farão falta ao trabalhador simples, seja na sua alimentação, lazer ou educação. O mais frustante disso é saber que o serviço continuará o mesmo: terminais descuidados, ônibus lotados e normalmente demorados. Ou seja, um serviço de péssima qualidade.

A carga tributária no Brasil sempre foi alta, e, com a crise da economia de 2008/2009, veio aumentando. O preço da cesta básica – feijão, arroz, macarrão e itens adjacentes – tem sofrido reajustes sempre para mais se comparados ao de anos anteriores. No entanto, o salário do proletário não cresceu tanto assim. De R$ 510,00 para R$ 545,00 (quase nada!) que é hoje não cobre, com efeito, os custos com alimentação, roupas e calçados, água, energia e passagens de ônibus. Então, como é o mês dessas famílias? Não sei cara, mas deve ser difícil.

Entendo que há algumas justificativas que até poderiam causar o aumento da passagem de ônibus. Por exemplo, o cartel do combustível, a manutenção da frota, a qualificação de funcionários, a logística do negócio. Tudo bem, concordo. Entretanto, o motivo para minha reclamação reside no abuso por um serviço sem qualidade. Poxa, retirar quase 25% do sacrifício mensal daqueles que precisam do transporte diariamente, é desonesto, senão um verdadeiro assalto.

A cidade de Goiânia, caro leitor, como muitas outras cidades do nosso país são movidas pelo transporte sobre rodas. Algumas destas cidades, como o Rio de Janeiro, possuem mais de 10 empresas atuantes nesse ramo concorrendo por passageiros. Em Goiânia, isso não acontece. São quatro empresas – Rápido Araguaia, HP, Guarani, Reunidas – as responsáveis pelo monopólio do deslocamento público. Sem esquecer, é claro, da CMTC (Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo) que deve abocanhar uma parte da fatia do gordo lucro dos “lambedores de salmão” das quatro empresas.

Enfim, é deprimente perceber que para ocorrer mudanças seria necessário a vinda da Copa do Mundo para a capital de Goiás. Enquanto isso não acontece, vão levando o caso com a barriga, assim como fizeram os ex-prefeitos Pedro Wilson e Iris Rezende. A incompetência destas prefeituras é simplesmente notória por terem sido coniventes com a situação. Do mesmo modo que muitos passageiros também o serão, por não reagirem sequer por meio de qualquer manifestação às mudanças efetuadas. Infelizmente o povo se torna refém dos donos do capital e do Estado que os apoia.

domingo, 17 de abril de 2011

TEMPOS DE CONSCIÊNCIA


O mês de abril teve um início triste. Primeiro, o caso de preconceito sexual durante uma partida de vôlei masculino em Minas Gerais. Durante a qual um dos jogadores foi ofendido pela torcida adversária. Segundo, o ocorrido no bairro de Realengo – no Estado do Rio de Janeiro – em que 12 estudantes foram mortos por um indivíduo desequilibrado.
Entendo que a sociedade possui problemas. Estes de diferentes proporções, variantes de origem pessoal ou mesmo coletiva que requerem soluções imediatas. Porém, como resolver essas variantes? As pessoas estão cada vez mais ignorantes, mais individualistas, mais introspectivas, mais incompreensivas. Quebrar esse escudo criado por elas não é fácil, mas possível.

O jogador humilhado durante o jogo é uma das muitas vítimas desse tipo de agressão. Geralmente, elas sofrem caladas porque se sentem acuadas pela opinião pública. Isso acontece não somente nos esportes, também nas escolas, nos locais de lazer e até na Câmara dos deputados. Vejam só! Quem deveria ajudar a combater essa situação, a apoia. Exemplo polêmico disso é o deputado federal – pelo PP – Jair Bolsonaro , famoso pelas suas frases preconceituosas.

Já na escola do Rio a situação está relacionada a um conflito sociopessoal. No entanto, por mais que eu tente rotular esse conflito é injustificável aquele acontecimento. Pois como alguém no contexto dos dias atuais, se comporte assim? Infelizmente nem a medicina possui resposta definida. Calharia agora muito bem a frase de Rousseau: “O homem é produto do meio.”

A investigação policial revelou que o assassino de Realengo possuía certos distúrbios mentais. Tinha sintomas de esquizofrenia, aliado aos constantes ataques de bullying sofridos quando menor. Além disso, perdeu os pais ainda pequeno. E quem o amparou? Ficou jogado de lado (sem considerar a sua mãe postiça). Igual a algo sem valor. Todo ser humano precisa de carinho, amor e atenção. Privá-lo dessa necessidade, é sentenciá-lo a um mal.

Portanto, em que se aproximam essas temáticas? Preconceito e amparo humano? Penso não ser difícil responder. Família. Como disse Mário Sérgio Cortella, a família tem sido reformatada sob os moldes da praticidade. Os pais não têm tempo de ensinar a seus filhos os aspectos morais de comportamento e suas peculiaridades. Logo, seus filhos são influenciados pela mídia e o meio em que vivem.

Enfim, todos nós temos uma parcela de culpa nos episódios de nossa comunidade. Na negligência paternal, na omissão de conduta, nas palavras ditas sem pensar. Somente haverão de ocorrer mudanças, quando mudarmos. Claro, isso não é da noite para o dia. Leva tempo. É necessário constância. Apenas assim é que poderá surgir dias melhores para todos.