"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

sábado, 30 de junho de 2012

OUTRO SOCO NA BOCA DO ESTOMÂGO: ADEUS A LEI DA FICHA LIMPA


Repulsa e desprezo pela Justiça brasileira é o que todos brasileiros honestos sentem pela posição tomada pelo TSE quanto a Lei da Ficha Limpa. Ela que antes havia sido aprovada pelo mesmo Tribunal para impedir a candidatura de políticos corruptos, agora, foi revogada devido ao pedido de reconsideração da posição tomada feito por 14 partidos. Algo que só evidência a falsidade das bandeiras partidárias de grandes siglas eleitoreiras e, a nossa pífia Justiça Eleitoral. Ninguém aguenta mais tanto ladrão de terninho se fazendo de santinho em Brasília. Chega!

Nesta Quinta-feira, 28, foi decidido pelo Tribunal Superior Eleitoral que a Lei da Ficha Limpa não será válida nas eleições municipais de 2012. Lei que foi elaborada pela própria população brasileira com a finalidade mestra de extirpar de vez, senão reduzir, os políticos corruptos e corruptores do organismo público. Atitude gananciosa de partidos e políticos que a História narra em detalhes, e que ainda persiste enegrecendo o dia a dia de todos.

A Lei foi novamente “analisada” após o pedido de reconsideração feito por 14 partidos sobre a posição dada pelo TSE, em março, sobre a validade da Ficha Limpa. Seguindo o PT, vieram: PSDB, PMDB, DEM, PTB, PR, PSB, PP, PSD, PRTB, PV, PCdoB, PRP e PPS. Somente o PSOL foi contra. Praticamente os maiores partidos do país se negam a lutar pelos interesses da população e passam a brigar “de peito aberto” pelos seus interesses. “Nossos partidos são tudo, menos partidos”, disse o professor de Ética e Política da Unicamp, Roberto Romano. Na realidade são clubinhos que discutem como manipular o povão a seu favor, para mandar sem retaliações ou chatices de prestação de contas. E falou mais o professor: “Liberar candidato 'conta-suja' é retornar ao estado de anarquia”. E o pior disso é ter juízes que negligenciam o que veem e leram em seus livros para chegarem onde estão hoje faceando a sua coadunação.


Foram quatro juízes que apoiaram os 21 mil impedidos de se candidatarem ao pleito. São eles: Henrique Neves, Gilson Dipp, Arnaldo Versiani e Dias Toffoli – este deu o veredito final. Até parece uma disputa que rendeu o campeonato, mas para o adversário como foi visto na Copa de 1950 – porém, por 4 a 3. Um efetivo retrocesso para Democracia do Brasil e de sua Justiça. E por quê? Por causa do passado condenante de vigaristas no poder com suas cuecas e meias recheadas, mensalinhos e mensalões, rorizes e arrudas da vida, além de cabrais, marconis e aguinelos. Incompetência e impunidade são os sentimentos mais sórdidos que o Poder Judiciário poderia semear dentro da sociedade civil brasileira.

Enfim, a Ficha Limpa foi reprovada pelo TSE em prol dos Grandes. Que belo exemplo nossa Corte Eleitoral nos dá. Não parece estar em sintonia com a opinião e os ideais do povo que representa, assim como o Senado e a Câmara dos Deputados também não. Até quando veremos artifícios legais defendê-los? Até quando permitiremos a posse de aproveitadores no cargo público? Até quando? Talvez, uma das saídas que podem dar certo seria recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Mas não só ali, toda a sociedade deve se mobilizar da mesma forma. Não podemos esperar mais! Quem sabe assim, com o pouco de sensatez que resta nesse país consigamos iniciar a varredura progressiva dessa bandalheira cancerosa.


Lista direta e completa dos Fichas-Sujas:
https://docs.google.com/document/pub?id=1uuOwoSwe84oAOK4pZBPlGbTQv46Sgtm2__C0uOt829g

***O voto dos Ministros para a FICHA LIMPA:


***A repercussão na Mídia (28/06 a 30/06):


Leia também:

NÃO ESQUEÇAMOS DO CASO FICHA LIMPA

OPERAÇÃO MONTE CARLO: "E AGORA, PROFESSOR?"

TCHAU AO VELHO, E QUE VENHA O NOVO!

CARTA ABERTA À SOCIEDADE BRASILEIRA SOBRE O SISTEMA POLÍTICO EM 2010 E PARA 2011

quarta-feira, 20 de junho de 2012

INFORMAÇÃO DE MENOS, NÃO SERIA MELHOR?


Vivemos em uma ininterrupta enxurrada de informações. Elas que nos afogam todos os dias através das mais variadas formas como pela televisão, pelo rádio, pela internet. O avanço da mídia na vida das pessoas já deu o sinal de como muitos são influenciados pelo que é dito, re-dito e re-escrito ali. Já está passando da hora do receptor disso tudo passar um pente ultrafino no conteúdo transmitido a ele, mesmo porque, a mídia idiotiza o seu público que deve assistir resignado a seu trabalho.

Um dia desses ao ler a Revista Época, em um trecho de entrevista com Humberto Eco, ele discutia a proposta da “Teoria da Filtragem”. Até recorda as épocas de censura, porem aqui com outra finalidade: o esclarecimento. A teoria seria melhor elaborada pelas universidades no intuito de atentarem mais a sociedade quanto ao que é repassado a ela pela mídia. Basta ver a grade de programação dos inúmeros meios jornalísticos para comprovar a imensidão de programas que idiotizam o recebedor das notícias: sobre famosos, sobre comidas que ninguém nunca faria, sobre os porquês das micoses em pele de cachorro.

O final do parágrafo anterior lembra bem os moldes da tevê, assim como a internet, que também não fica atrás. É visível que nem a tevê e nem a internet possuem um critério de seleção de fatos para o seu público. Simplesmente jogam lá. Não provocam estímulos críticos no público. Não formam Seres Pensantes, formam Seres Alienados. Trabalham no dever de entupir as pessoas de informação, informação, informação. Só isso. Não explicam o porquê dos acontecimentos. Lembro-me das revoltas no mundo árabe e as comparações da grande mídia – “Primavera Árabe, Primavera Árabe!”. Mas afinal, será que todos que receberam essa informação sabiam da origem de seu nome?

O excesso de informações não significa (essencialmente) conhecer algo, disse o sociólogo francês Edgar Morin. Se não existe discussão, contraposição de ideias, não haverá aprendizagem e então, o real conhecimento da situação. As consequências desse excesso informacional levam o homem ao estresse e à baixa concentração. Aliado a tais fatores, estão o modo de uso, por exemplo, da internet com coisas sem muita funcionalidade: bate-papos e jogos on-line e notícias irrelevantes. Devido a isso, já existem pessoas neuróticas para atualizar seu banco de dados cotidianamente na Web, afim de saber se há alguma fofoca nova (né Facebook).

Por fim, informação mal explicada não é ruim, só provoca mal-estar. É tanta notícia/informação ruim que nos bombardeiam, programa após programa, que se sentir bem significa estar imune. Nunca estive imune, e espero nunca estar. Pois aí terei, mesmo minimamente, a certeza de que ainda posso tentar lutar contra a baixa qualidade do conteúdo midiático. Seria muito melhor informação de menos, para discussão muito mais.


Leia também:


CULTURA INÚTIL: A TOLERÂNCIA NÃO DEVERIA SER ZERO?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O PENSAMENTO CRÍTICO É NECESSÁRIO PARA A SOCIEDADE


A maioria das pessoas, a cada dia, deixam-se levar pelas opiniões dos outros sem demostrar a sua verdadeira vontade. Uma atitude que veio sendo construída na sociedade entre avós, pais e filhos com uma “lei de censura de opinião”. Dessa forma, discordar ganha um caráter particular de ofensa a quem crítica, o que pode não evidenciar a verdade.

Há tempos, grande parte das pessoas eram instigadas, desde pequenas, a aceitarem sem contestação a opinião de alguém mais velho. Hoje, isso não é diferente. É sim, merecido e valoroso escutar alguém com mais experiência de vida. Porém, deve-se também saber separar a parte boa dessa sabedoria, para agora, somá-la a novas experiências.

O antropólogo Roberto DaMatta, em um de seus textos, argumenta sobre a relação hierárquica de submissão familiar. A expressão já muito utilizada pelos pais: “Não fala assim, menino, pede desculpas agora!”, reflete a cultura intrínseca ao ambiente familiar, diz. É como se o garoto não pudesse ver de um ângulo oposto, o visto pelo pai, avô, tio. Infelizmente, poucos entendem a importância dessa prematura opinião contrária para a formação do indivíduo dentro de uma sociedade regida pelo pensamento coletivo.

Pensar criticamente faz-se necessário para existir a ordem e o progresso. Mesmo porque, é na educação, é na política que decisões relevantes serão discutidas pelos cidadãos, e sentidas por todos. E, a solução dessas discussões – geralmente, a melhor possível – advém do debate crítico. Assim como disse César Benjamin, em A astúcia da Razão, pela Folha de S. Paulo, o esforço intelectual tende a desviar-se do senso comum. Portanto, discordar não significa ser inimigo, e sim ser um observador diferente do habitual (do mecanizado).

Em suma: é o pensamento divergente que, de forma racional, constrói a sociedade. Opiniões contrárias sempre existirão, e são úteis para aprimorar várias perspectivas. Agora, bom mocismo ou comodismo atrapalham o avanço em comunidade. Pois, deixar de criticar por medo ou preguiça qualquer situação, pode agravar o problema, seja ele pessoal ou social. No entanto, usar da “máscara da falsidade” para agradar aos outros, cedo ou tarde, será um problema. Lutar contra isso deve ser algo difundido no presente, para dar bons frutos no futuro.