"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

COTAS NAS FEDERAIS: UM MAL NECESSÁRIO?


Em sua igualdade majestática a Lei proíbe tanto ao rico quanto ao pobre dormir embaixo da ponte, esmolar nas ruas e furtar pão”.

O programa de cotas utilizado pelas universidades públicas tem sido uma das formas de acesso ao ensino superior pelos vestibulandos egressos da rede pública. Dessa maneira, tenta-se democratizar a educação que há décadas é vista no Brasil como elitizada. Não pra menos que tal classe se vê contrariada em seu status quo, e vai as ruas protestar. É lógico, políticas afirmativas deveriam ser passageiras e não ampliadas como vem sendo feito. Contudo, se elas não forem trabalhadas sincronicamente com investimentos no ensino fundamental e médio, efetivamente, a sua função de acesso a educação à todos os excluídos se transviará em uma medida sem muitos préstimos no futuro. Proteger a geração que ainda virá é importante, mas sem esquecer, claro, da geração de agora.

Existem inúmeros argumentos favoráveis e contrários a lei aprovada pelo Senado no dia 07 de agosto e sancionada pela presidenta Dilma ontem (29/08): A Lei de Cotas. Esta, prevê que do total de vagas destinadas ao vestibular, metade seja para alunos de escola pública. E, dentro dessa metade, 50% estejam reservados a negros, pardos e índios autodeclarados perante uma banca de julgamento étnico. Assim, pelos critérios da universidade, o candidato teria uma bonificação no exame para concorrer a uma vaga. Não é justo, em vista da inoperância e da ineficiência da educação pública do ensino médio frente as dicotomias do meio social brasileiro? Bem, não é do mesmo modo que os contrários à Lei pensam.

Os discursos dos “bonzinhos”, como disse Paulo Moreira Leite em seu artigo “O Preconceito dos Bonzinhos” na sua coluna Vamos Combinar da revista Época, são cheios de critérios aburguesados: “o aluno não entrará de cabeça erguida pela porta da frente; há um desrespeito pelo mérito dos estudantes não-cotistas; o nível da educação superior pública decairá; os cotistas se sentirão menosprezados e rejeitados no ambiente universitário...”. Exposições de puro interesse classista. Existem ponderações nas defesas, mas não argumentos sólidos que possam convencer racionalmente um indivíduo sensato. Quem disse que todos os cotistas desistem do curso durante o seu progresso? Isso é generalizar... Quem disse que não haverá mérito desses candidatos aprovados pós enfrentamento de horas em provas?

Outra análise a se fazer também é: realmente o vestibular mede eficazmente a meritocracia? Avalia a real inteligência da pessoa, ou apenas cobra a sua capacidade de associação mecânica e de elaboração repetitiva de respostas a perguntas consagradas? O vestibular está longe de ser um método igualitário frente as disparidades da nossa sociedade. Outra crítica passível se baseia na possibilidade de queda da qualidade acadêmica. Enquanto alunos da rede privada defendiam essa máxima na “Marcha do Todinho” em Goiânia domingo, 19 deste mês, o Jornal O Popular tinha como manchete a contra-argumentação para tal: “filha de pai caminhoneiro e mãe que recicla reutilizáveis, Mariana é uma das melhores alunas na Faculdade de Medicina da UFG vindas de escola pública”.

Um estudo realizado pelo Laboratório de Políticas Públicas da UERJ mostra Os 10 mitos sobre as Cotas nas instituições federais. A comissão chegou a conclusões que fazem cair por terra a maior parte das opiniões pouco elaboradas sobre o tema. Inclusive sobre os negros. É inquestionável a existência do preconceito dentro da sociedade brasileira, por mais que se confirme sua miscigenação. E isto, está vinculado ao processo histórico pelo qual passamos, que enriqueceu a Casa Grande por meio da exploração da Senzala. Porque semelhante aos EUA nos anos 60, as políticas de discriminação positiva vem com o intuito de oferecer oportunidades que antes eram vistas qual irrealizáveis para este grupo tão desprezado que são os negros. Nunca, nenhum deles disse que eram incapazes de concorrer como universais nos concursos, só não tiveram a mesma preparação sistemática que os brancos de rede particular possuem até hoje.

Enfim, as políticas compensatórias se fazem de uma oportunidade ímpar para a grande população pobre brasileira que faz uso do ensino público – mudar sua situação para melhor e de seus familiares pelos estudos. É egoísmo e preconceito pensar que o aluno de escola pública seja incapaz de acompanhar as aulas, de se esforçar na universidade, de que não podem sequer se sustentar lá dentro devido aos custos da formação... Repito: puro egoísmo e preconceito. Todos tem direitos (óbvio), mas será que são iguais para todos? Não, justamente porque ainda impera no Brasil uma conservadora divisão de classes que segrega seus cidadãos. Na verdade somos desiguais, e para tanto, se combate a injustiça tratando os iguais de maneira igual, e os desiguais de maneira desigual. Não pode o Estado cobrar de todos os mesmos deveres, nem oferecer a todos os mesmos direitos. Pois, se dos pobres sempre tirava e dava aos mais abastados (via impostos indiretos, benefícios creditícios, redução de cobranças em cadernetas bancárias), o inverso, agora, começa a ressoar rumo ao povo.

***VÍDEOS:

Pedro Cardoso - Cotas nas Universidades


Hélio de La Peña - Cotas nas Universidades


O Problema da designação de quem é negro


Debate - Cotas Raciais


Canal Livre - As Cotas na Universidade (com Demétrio Magnoli)


Opinião de Rachel Sheherazade


A repercussão fora do Brasil (telesur)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

TECNOLOGIA: COMO O SER HUMANO USA?


O uso consciente da inteligência humana provocou uma série de inovações tecnológicas na vida das pessoas, tanto para o bem quanto para o mal, consequentemente. Assim, o perfil da sociedade veio se fazendo desde a invenção de coisas que hoje até parecem banais, tal como a roda. A preguiça do homem aliada as suas experiências permitiu-lhe o controle sobre certas circunstâncias para delegar, enfim, melhor sua vida.

A invenção das máquinas sejam elas de transporte físico – carros, aviões, navios – ou de transportes de dados – internet, tevê, rádio –, influenciaram positivamente no tempo real do homem. Seus afazeres ficaram mais práticos e menos dispendiosos, espacialmente. Dessa forma, otimizar esse tempo real nas suas obrigações diárias com mobilidade, segurança e conforto aumentam consideravelmente seu nível de vida.

Virtualmente, o acesso a informações via rede interativa de computadores é a mais alta expressão da expansão tecnológica. E o homem tem feito usufruto disso, especialmente para lucrar em cima dela. Entretanto, para algumas pessoas, se controlar diante do magnífico mundo da “recíproca digital”, isto é, da mágica sedução eletrônica é bem difícil. Daí a fácil manipulação das massas através dessas redes interativas.

A falta de criticidade no meio social provoca a estagnação e o conformismo pela situação atual. Mesmo que esta seja ruim, a uniformidade dos pensamentos impossibilita mudanças. A tevê, o rádio auxiliam nessa alienação do homem – a tecnologia favorecendo a exploração, no caso, para a mídia. Contudo, isso seria menos eficaz se a população usá-se racionalmente os recursos que lhe são dispostos para se informarem e formarem, então, opiniões por intermédio de redes sociais, jornais digitais e a comunicação em geral.

Por fim, o alto poder tecnológico hoje disponível afeta de diferentes maneiras a vida do homem. Se o uso das variadas tecnologias não fossem feitas ao acaso, com uma finalidade específica ao menos, com certeza o rendimento delas seriam melhores. O homem pode maximizar seu conforto, sua qualidade de vida. Basta dar prioridade as tecnologias importantes para seu cotidiano. Pena que ele não vê isso assim.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

DESAFIAR O PORVIR OU SE ESQUIVAR DELE?


O Homem é um indivíduo construído pelas suas dúvidas, medos e receios. Isso faz com que ele se preserve, ou mesmo se precavenha, diante das problemáticas de sua vida. Desse modo o homem tenta ponderar certos acontecimentos de seu cotidiano, porém nem todos. Algo que o frustra perante todo o mecanismo dos tempos modernos baseados na instantaneidade. Para ele o desafio pode ser motivador, contudo, é ao mesmo tempo conflitante.

Há séculos, o ser humano procura formas de prever o Amanhã. Para tanto, já recorreu até ao misticismo. E com a ajuda de oráculos e videntes, tentou premeditar diversas situações futuras. Geralmente, com o intuito de proteger a família, a colheita, a sua terra de inúmeras ocasiões de perigo. Então o homem foi se aperfeiçoando e criando meios para se proteger da Dúvida, ainda mais quando seu cotidiano tornou-se rigidamente controlado pelo tempo.

Boa parte das invenções técnicas e científicas de hoje foram pauta de discussão no passado, com a finalidade básica de proteger e melhorar as expectativas de vida futura. Por exemplo, as inovações na Medicina. O temor de contrair uma doença grave dentro de poucos meses ou anos, provoca no homem um medo desmedido – da morte. Daí as múltiplas inovações tecnológicas na área médica por meio de remédios, tratamentos, cirurgias, aparelhos sofisticados.

O Homem é muito vulnerável em relação ao desconhecido. Por isso ele se sente acuado quando percebe que seus esforços são praticamente vãos. Contudo, com a experiência adquirida em vida aliada ao treinamento prático e a análise crítica, aos poucos, auxilia-o na superação de seus obstáculos (medos). E, pode ser que, a cada novo imprevisto, ele faça disso uma nova chance para o recomeço, para enfrentar seus temores.

Enfim, mesmo com diversos motivos para estar apreensivo, tenso ou em alerta quanto ao futuro, o Homem não se entrega. Talvez porque já tenha se frustrado várias vezes com planos que aparentemente eram infalíveis. E o pior disso: não estar preparado para contornar os imprevistos. É por isso que deve haver uma preparação dia após dia, no intuito de suportar melhor esses imprevistos. Ninguém quer estar despreparado e deixar que o medo tome conta das suas ações em um momento extremo. Portanto, tentar se esquivar do futuro pode ser algo muito perigoso. Ninguém sabe a força e o poder de suas consequências.