"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

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domingo, 20 de novembro de 2011

A DISTORÇÃO DA FELICIDADE


No contexto em que a sociedade do século XXI se encaixa hoje, viver o sentido da palavra felicidade é regra, o que se faz um problema. Não que compartilhar o conceito desse substantivo seja um encalço, mas sim a forma deturpada com que ele ganhou ao passar do tempo. Extirpar os momentos de sofrimentos ou dor da vida e recheá-los de descontração, alegria e risos, é melhor que a realidade. Infelizmente, as pessoas estão caminhando nessa direção, e não percebem como pode ser difícil sair dela depois, visto que é prejudicial a formação da pessoa a “maquiação” de sua vida.

O sistema capitalista foi um dos principais causadores da mutação do verdadeiro ser feliz. Formatando um mecanismo de consumo em que cada pessoa gasta seu dinheiro com mercadorias e produtos, empurrados pela mídia sensacionalista, vendem a ideia de se investir no momento, no presente. Isso porque não importa o dia seguinte, o mês seguinte, o futuro. O importante é viver o instante. Assim caracterizou Luciene Godoi em seu artigo no O Popular: “vivemos a era do gozo”.

As pessoas pouco foram instruídas a criticar os fatos à sua volta, então deixam-se levar pelas vontades instituídas pelo sistema. Ou seja, agem no intuito de agradar aos outros, tão pouco a si. Isso fica claro nas relações entre adolescentes. Segundo Gilberto Dimenstein, em seu texto pela Folha de S. Paulo, os jovens passam por uma fase de transição complicada. Pois, além de conviverem com a pressão social – devido a temas diversos –, passam por crises de frustração, baixa autoestima e a necessidade de testarem certos limites.

Para a construção psicológica e moral de um indivíduo dotado de sentimentos verdadeiros – e não manipulados pela massa –, pode ser conveniente os sobressaltos da vida. A partir disso, moldar um ser humano capaz de enxergar a real noção da felicidade ficaria menos complicada. A relação entre as pessoas seria diferente e, talvez, mais harmônica e fraterna. Evitar as frustrações e a dor dos caminhos da vida de alguém, é negá-la de viver a completa felicidade advinda por um momento futuro (a sabedoria talvez).

Por fim, a era do gozo está presente no meio social. E sendo ela proporcionada pelo princípio do consumismo, cabe a cada um atentar-se a intervenção que ela fará em seu dia a dia. Não há significado em viver “plenamente feliz” nesse tipo de era. É preciso introspecção, reflexão. Atingir esse estágio de pura submissão ao sistema, implicaria em um perda substancial das pequenas felicidades da vida. E, portanto, da autêntica denotação de ser feliz.

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

UMA JOGADA POLÍTICA DE MESTRE: MEDICINA – UEG/2013

A questão da educação no Estado de Goiás, assim como em todo o Brasil, sempre foi posta de lado. Mas agora, diferentemente de tempos passados, as pessoas começam a envolver-se cada vez mais no assunto. E por estarem relativamente mais atentas e informadas, o Governo de Goiás tem proposto medidas de re-estruturação da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Tudo esquematizado em uma jogada política do atual governador – Marconi Perillo (PSDB) – que trabalha para a criação do não tão necessário curso de Medicina em uma universidade com média 2 de 5 no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes).

Desde a criação da UEG ela é vista com certo receio e desprezo pela população. Fruto de governos desmotivados à ampliação técnico-humana na instituição. Por isso, resultantes físicas denigrem e comprometem o ensino tais como, prédios depredados, telhados quebrados, precisão de materiais de higiene e limpeza, e até energia elétrica, que às vezes é cortada por falta de pagamento. E não é só isso. Além da privação instrumental dos alunos, há também a privação científica. Ou porque os espaços para estudos são inexistentes, ou porque são pequenos para o número de pessoas.

A UEG, hoje, está presente em 49 municípios com 42 unidades que administram 153 cursos. Possui 20802 alunos, 2494 professores e 144 servidores. É considerada uma das maiores universidades do país, e ao mesmo tempo uma das cinco piores de acordo com o MEC (Ministério da Educação e Cultura). Tudo porque seu orçamento é escasso. O Estado destina a instituição apenas 2% do dinheiro arrecadado pelos cofres públicos – quase R$ 140 milhões – enquanto que a UEPB (Universidade Estadual da Paraíba) recebe R$ 340 milhões para 41 cursos [por favor, comparação sem discriminações]. Com a proposta de re-estruturação na instituição feita pela Sectec (Secretária de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás), cursos de baixa demanda no vestibular seriam extintos e outros transferidos.

As principais metas para a tal reordenação da UEG são Autonomia Universitária (Política, Financeira, Acadêmica e de Gestão) e Re-estruturação Acadêmica (Centros de Estudos Regionais). Tudo isso elaborado pela Sectec. Não foi a UEG por meio de seu corpo dirigente que graduou mudanças, e sim a Sectec a mando do Governo. Desse modo o Governo infringe a Constituição Federal e a Gestão Democrática pautada pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), ferindo a soberania da Universidade em assuntos internos quanto a, por exemplo, criação e extinção de cursos. Prevê-se que ocorra o fechamento de seis cursos: Pedagogia em Nova Crixás, Itaberaí e Luziânia; História e Letras em Jussara; e Tecnologia em Redes de Computadores em Trindade; e o remanejamento de outros dentre as unidades. Prevê-se também a criação de Medicina (Aparecida de Goiânia) e Direito (Iporá) na UEG.

O presidente da ADUEG (Associação dos Docentes da UEG), professor Emerson de Oliveira, diz que não há novidades na re-estruturação da universidade, a não ser os cortes de cursos (ouça a entrevista do professor a Rádio 730am). O então vice-presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes), Frank Boniek, em entrevista ao Jornal Opção e ao O Popular, disse que são “propostas maquiadas” as feitas pela Sectec. “Eles não conhecem a realidade dos cursos, e portanto, mexem no que pouco sabem.” E confirma os dados acima: “Não serão extintos seis cursos e sim 32 (especula-se ainda por volta de 59 cursos e demissão de 900 professores – Diário do Interior), pois os atuais cursos seriam transferidos para onde já são lecionados. Exemplo, os cursos de São Miguel do Araguaia que irão para Porangatu.”

Por fim, fica clara a real intenção do presente governador. Nunca antes na história de Goiás, o excelentíssimo governador teve vontade em equipar a universidade ou erguê-la academicamente. Politicagem. É só esperar que na próxima campanha eleitoral, ele estará se vangloriando pelos cursos de Medicina e Direito criados, e pelo “bem” proporcionado por seu governo à todos. Capacitar melhor os professores, construir escolas, hospitais, e desburocratizar o sistema judiciário nem passa pela cabeça desse tipo de político. Contudo, espera-se que agora realmente as coisas entrem no eixo tão essencial à educação. Um Estado tão grande para UMA universidade federal (UFG) e UMA universidade estadual é pouco demais pra tanta gente afim de crescer intelectualmente.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A SOCIEDADE ESTÁ MEDROSA POR TUDO

Vi um dia desses na televisão, em um programa de canal fechado, uma discussão sobre o atual comportamento da sociedade brasileira. Era posto em pauta a forma de relacionamento entre os indivíduos e o meio com a liberdade. E, um dos convidados pelo programa falou algo que me chamou a atenção: “Por não conhecermos as pessoas que nos cercam, vivemos condenados ao medo e ao constante estado de apreensão”.

Fui refletir sobre aquela frase, e cheguei a conclusões quase certas e notórias: vivemos em um binômio de segurança-insegurança. Quantas famílias pagam condomínios caríssimos, investem na blindagem de seus carros e chegam ao cúmulo de vigiar/rastrear seus filhos. Não seria demais pensar nisso, enquanto uma sociedade vive em constantes ondas de criminalidade, por sujeição dessas condutas.

A necessidade de liberdade para qualquer ser humano instiga-o a se desamarrar de toda uma cadeia que a ele foi imposta. Cadeia esta envolta pela família, pela Igreja, pelo Governo que não estruturam harmoniosamente a cabeça de futuros adultos. Assim, esses futuros adultos passam por crises de idade e não sabem como agir em determinadas circunstâncias da vida. Por exemplo, quando um casal resolve se casar mas ainda tem medo de abandonar as mordomias de solteiro.

Da frase dita pelo convidado ao programa de canal fechado, pode-se ver também que as crianças sofrem. Elas são privadas de se divertirem por estarem aprisionadas dentro de casa. Isso me veio quando ouvia a uma rádio de notícias, em que Gilberto Dimenstein concluía essa ideia: “a criança tem sido tanto superprotegida pelos pais por causa da crescente violência, que os pequenos vêm gerando doenças como a obesidade.” Vejam só! É um mal que leva a outro mal. Mas, infelizmente essa foi a única solução encontrada para a não ocorrência do pior.

Então, eu poderia tentar resolver uma questão: será que a sociedade está doente por uma psicopatologia (copiando Lúcio Malagoni, do O Popular) que é fácil de ser diagnosticada e difícil de ser curada? Provavelmente sim. Não seria trabalhoso apontar problemas para as causas das inúmeras dificuldades do meio humano. A questão é como resolvê-las. Quando isso tiver sido descoberto, enfrentado e combatido eu serei o primeiro a derrubar o meu muro.

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