"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

DESAFIAR O PORVIR OU SE ESQUIVAR DELE?


O Homem é um indivíduo construído pelas suas dúvidas, medos e receios. Isso faz com que ele se preserve, ou mesmo se precavenha, diante das problemáticas de sua vida. Desse modo o homem tenta ponderar certos acontecimentos de seu cotidiano, porém nem todos. Algo que o frustra perante todo o mecanismo dos tempos modernos baseados na instantaneidade. Para ele o desafio pode ser motivador, contudo, é ao mesmo tempo conflitante.

Há séculos, o ser humano procura formas de prever o Amanhã. Para tanto, já recorreu até ao misticismo. E com a ajuda de oráculos e videntes, tentou premeditar diversas situações futuras. Geralmente, com o intuito de proteger a família, a colheita, a sua terra de inúmeras ocasiões de perigo. Então o homem foi se aperfeiçoando e criando meios para se proteger da Dúvida, ainda mais quando seu cotidiano tornou-se rigidamente controlado pelo tempo.

Boa parte das invenções técnicas e científicas de hoje foram pauta de discussão no passado, com a finalidade básica de proteger e melhorar as expectativas de vida futura. Por exemplo, as inovações na Medicina. O temor de contrair uma doença grave dentro de poucos meses ou anos, provoca no homem um medo desmedido – da morte. Daí as múltiplas inovações tecnológicas na área médica por meio de remédios, tratamentos, cirurgias, aparelhos sofisticados.

O Homem é muito vulnerável em relação ao desconhecido. Por isso ele se sente acuado quando percebe que seus esforços são praticamente vãos. Contudo, com a experiência adquirida em vida aliada ao treinamento prático e a análise crítica, aos poucos, auxilia-o na superação de seus obstáculos (medos). E, pode ser que, a cada novo imprevisto, ele faça disso uma nova chance para o recomeço, para enfrentar seus temores.

Enfim, mesmo com diversos motivos para estar apreensivo, tenso ou em alerta quanto ao futuro, o Homem não se entrega. Talvez porque já tenha se frustrado várias vezes com planos que aparentemente eram infalíveis. E o pior disso: não estar preparado para contornar os imprevistos. É por isso que deve haver uma preparação dia após dia, no intuito de suportar melhor esses imprevistos. Ninguém quer estar despreparado e deixar que o medo tome conta das suas ações em um momento extremo. Portanto, tentar se esquivar do futuro pode ser algo muito perigoso. Ninguém sabe a força e o poder de suas consequências.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

FIB OU PIB – O QUE É MELHOR?


Viver em sociedade é complicado devido as diversas adversidades da convivência em coletividade. Primeiro porque responsabilidades são impostas às pessoas – o que exige certos gastos. Segundo, porque a cobrança é tamanha, que não são raros os casos de problemas psicológicos ou familiares devido ao estresse. Tudo isso é negligenciado pelo PIB, que se atém apenas aos critérios econômicos, diferentemente do FIB. Este, nasceu com o intuito de medir o grau de felicidade das pessoas – algo impalpável –, ao contrário do PIB. Uma ideia que até poderia dar certo caso o homem não fosse um tanto materialista, e ao mesmo tempo egoísta.

Para muitas pessoas, pensar no significado da palavra felicidade é quase que instantâneo casá-la a palavra dinheiro. Se tornou banal pensar dessa forma. Pois, para o ocidental, tal situação lhe confere todos os luxos de uma vida confortável. No entanto, lá no Himalaia, num país bem pequeno chamado Butão, desde 1972, o rei instituiu a Felicidade Interna Bruta (FIB) cuja finalidade não fugiria a melhorar a vida de seu povo, sem necessariamente, ter todo o luxo possível.

O FIB avalia a saúde física e mental, o uso adequado do tempo, o grau de cultura, de educação, de influência ecológica e de vida social das pessoas, além do bom funcionamento do Estado. Para os butaneses “não existe felicidade se ainda há pessoas ao seu redor sofrendo”. Proposta aparentemente boa se comparada ao PIB, o então dito medidor de “Fracasso dos Governos”. Porém, os os dois medidores, mesmo diferindo em alguns pontos, não se sobrepõem no intuito de resolver as desigualdades sociais e humanas mundo a fora.

No começo do ano (acho que em Abril) li o texto “A felicidade interna do rei do Butão” na Folha de S. Paulo, em que Bruno Garschagen me fez começar a refletir sobre este tema que aqui discutimos. Ele disse uma algo interessante em seu artigo: como buscar a felicidade em países de estrutura-histórica estilo América do Sul se as condições básicas de inúmeras pessoas não são supridas? Falta saúde, falta educação, falta segurança... Se torna uma utopia o sonho-FIB na presença estatística de altos índices de desemprego e doenças. A motivação foi-se embora há muito tempo.

Enfim, conciliar felicidade e progresso econômico não é fácil. A felicidade depende da pessoa e o desenvolvimento econômico do todo. Dessa maneira, interligar o particular com a maioria se torna bem complexo. É uma briga de interesses. Só se é feliz quando a vida profissional e familiar vão bem para o homem contemporâneo. Só existe progresso econômico se todos trabalharem sem ter, necessariamente, felicidade coletiva. Uma pena. Que bom seria, assim, o bem-estar coletivo, mas nunca uma felicidade coletiva.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

RIO+20: FRACASSO TOTAL OU MEIO FRACASSO?


O documento final da Rio+20 ficou a desejar. Não faltaram ideias e motivações para como atuar contra as mazelas globais, e sim interesse. Vontade política que está fortemente ligada ao capital nacional que nenhum país quer comprometer. E as desculpas são inúmeras para fugir da responsabilidade. Pior, é que ninguém quer se posicionar sozinho, nem cuidar do seu próprio quintal. Lastimável posição dos governos do mundo.

Há quase 30 dias deu-se o fim da Rio+20 no RJ. E disso, resultaram acordos de pouco valor engajado. Quer dizer, ninguém quis tomar as rédias da situação de fato. Enquanto os países ricos e seus aliados discutiam as obviedades da pobreza no mundo, dos gastos sem racionalidade e do desprezo pelo bem comum – especialmente de caráter ambiental , o tempo esteve passando sem muitas pretensões.

Sabe-se que a reunião dos 193 Estados-Membros presentes na Rio+20 a fim de se chegar a um consenso quanto a forma de lutar contra a desordem do equilíbrio ecológico aliado ao bem-estar humano era o foco, basicamente. Irrefutável é, o aquecimento global, a necessidade da preservação das águas e florestas, do controle sobre as emissões de poluentes, a proteção à vida. E ainda o capitalismo selvagem resiste em notar que também será vítima caso não deixe de pensar só em suas cifras.

Os países mais pobres não devem ser igualados aos mais ricos. Seria uma tremenda falta de bom senso e egoísmo, principalmente, dos países de primeiro mundo. Mesmo porque, se aqueles – os pobres – são ou estão assim, é justamente devido a ganância e covardia dos super desenvolvidos no passado. Daí as supostas políticas de ajuda humanitária que não solucionam os problemas dos subdesenvolvidos, apenas os atenua. É uma forma mais aburguesada de dizer “olha, eu estou ajudando eles”, ao invés de maneira efetiva auxilia-los em ordem técnica e estrutural, a ultrapassarem este momento de crise social.

Contudo, a sociedade civil não pode ficar de fora das pautas e de seus deveres. Boa parte das pessoas esperam pela boa vontade dos órgãos públicos para agir. Não controlam o uso de sua água encanada, não separam o lixo seletivamente para coleta, preferem consumir combustíveis pesados e poluir, gastando horrores com energia elétrica e besteiras do capitalismo modernoso. Isto é ter e passar para filhos e netos uma ideia de uma consciência sustentável?

Em suma: posso dizer que a Rio+20 foi um fracasso em partes. Boa, porque o assunto não morreu com as gerações ou mudado em metas, ou seja, cada vez mais pessoas se interessam pelo assunto e assim se conscientizam e analisam mais o que é dito. Ruim, porque a atuação dinâmica dos povos tem sido protelada há décadas. Não se fala em lucros para os governos e sim custos. Esta é a razão de tamanha dificuldade neste multilateralismo como disse Dilma e Ban Ki-Moon. Ninguém quer arcar com os custos de sua própria sujeira, que aliás é proporcional: compro mais, sujo mais, logo, gasto mais para limpar. Se cada um fizesse sua parte nesta ocasião, as dificuldades não seriam tão grandes como se preveem hoje.

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