"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

“MAIS IMPOSTOS, MENOS SAÚDE. MAS NÃO ESQUEÇAMOS: TEMOS COPA EM 2014”


Está sendo cogitado em Brasília o retorno da CPMF, agora com a finalidade de financiar a saúde. O problema é que para melhorar a saúde, usam da fala “De onde tiraremos dinheiro?” E concluem: “Porque não da CPMF (CSS).” Nada contra o retorno do imposto, se compensado por outro e que seja bem empregado. Agora, seu gasto deve ser leal. Não com estádios sem funcionalidade social após 2014, mas impreterivelmente com saúde (educação, moradia, alimentação). Digo porque a aplicação do dinheiro público sem licitação vem ocorrendo na cara dura em Estados que promoverão os jogos da Copa.

Não é de hoje que o sistema de saúde brasileiro apresenta debilidade no seu espaço preventivo. Herança de governos sem vontade política e desejosos de mudanças rápidas. Mesmo porque programas sociais não dão retorno ao Governo, pensam. Assim, atuar de forma impactante e bem visível consiste em executar programas sociais: pavimentação, construção de praças, doação de cestas básicas à famílias carentes. Com o quase total sucateamento da saúde, propõem ressuscitar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), o que para uns é um verdadeiro tormento.

A CPMF marcava pressão em cima de todas as movimentações bancárias, exceto negociações na Bolsa, saques de aposentadoria, seguro-desemprego e salários. Na realidade, a volta da CPMF seria batizada de CSS (Contribuição Social para a Saúde), na expectativa de arrecadar quase 35% a mais se comparada a sua última atuação (de 9 bilhões para 12 bilhões). É por isso que partidários do DEM e tantos outros partidos (deputados, empresários), repudiam a sua volta. Descontaria na sua gorda conta bancária. Formatado como imposto direto, sem grandes chances de driblar o Estado por malandros e seus contadores – como fazem no Imposto de Renda –, assinala um dos impostos mais justos no Brasil.

Poderia até tentar engolir o possível fato da tributação do imposto, por ser uma causa justa – a saúde. No entanto, estádios de futebol são mais importantes que seres humanos? Construir estádios com o dinheiro público em sobra no caixa... pode, mas remediar o povo nada né! Isso é justo? Do mesmo modo, com típico discurso de abrandamento de massas: “enchemos vocês de porrada, mas fazemos rirem. E tem mais, logo faremos a Copa”. Aliás, eles diriam melhor: “Cobramos mais para melhorar a saúde, já tão defasada. Trabalharemos incansavelmente no aprimoramento dos serviços! Mas não esqueçam: teremos Copa em 2014!” eeeee...

Encarar um Governo que prioriza um evento esportivo em detrimento de sua nação é revoltante. Todos os dias pessoas morrem em filas de atendimento nos postos de saúde a espera de consulta, porque o Estado absteve-se de proporcionar um acolhimento decente ao paciente e seu devido tratamento. Se fosse caso de falta de dinheiro... mas não. Há excessos. E muito excessos mau gastos. As causas disso não são novas. Além de desvio de dinheiro, corrupção e superfaturamento de materiais, existe àquilo que não é posto em pauta – fica atrás dos bastidores.

Enfim, apoio o retorno da CPMF, ou melhor da nova CSS. Retirar daqueles que muito têm e investir em algo funcional se faz correto. Contudo, explorar das pessoas simples – como o Estado sempre fez – e ainda reverter o erário público em obras de estádio para evento de um mês é desonesto. Desonesto com o trabalhador humilde que não paga esse imposto, mas paga tantos outros que sugam seu salário, e todas as outras classes sociais. Já tá passando da hora de uma reforma no organismo dessa conjuntura estatal.

domingo, 4 de setembro de 2011

NÃO ESQUEÇAMOS DO CASO FICHA LIMPA


Quinta-feira passada,1° de setembro, ao assistir o jornal à noite pouco desviado de minha rotina, deparei com uma ótima notícia: foram aceitos os argumentos para a efetivação da Lei Ficha Limpa. Pulei e gritei de felicidade ao escutar o apresentador repassar a decisão do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel. É sabido por todo o Brasil a real necessidade da vigência dessa lei reivindicada pelo povo. Ninguém aguenta mais tanta bandidagem de colarinho branco em Brasília nem de qualquer outro tipo.

De fato, não é de agora que a população brasileira convive com a roubalheira. Na verdade, ela sempre existiu. Porém, tal roubalheira passou a ser amplamente divulgada e combatida pela sociedade desde então, pois ela tem sido um pouco mais critica e informada em razão dos atuais meios de comunicação. Percebe-se que, mesmo modestamente, a nação brasileira torce por mudanças imediatas.

Quando expulsei meus sentimentos naquele segundo, um certo alguém – como tantos outros “tupiniquins” afora – sem demora, colocou-me na mira: “Meu chapa, esqueceu que estamos no Brasil. Próxima semana ninguém lembra disso mais, cai na real.” Olhei aquele ser com desdém. Não sabia se estava sendo irônico ou se estava com raiva por algo (foi que pensei). De prontidão respondi: “Pois é, tipos assim como o seu retratam a verdadeira face da derrota no país, simplesmente por se acomodar. Só não chore depois por salário ou imposto caro.” Ficou mudo, e eu sai. Não sou bobo né!

No Brasil ainda persistem problemas de infraestrutura e formação humano-profissional, decorrentes da falta de investimentos. Estes, aprovados ou não por mestres e doutores em política que ocupam o Senado e a Câmara. Velhos doutores que não largam o osso, e reclamam de salários toscos que chegam aos R$ 20000,00. Basta! Mudanças são necessárias.
E já! Esta bandeira de luta contra incompetentes que empesteiam órgãos públicos precisa ser de todos os brasileiros. Enquanto isso, escândalos e mais escândalos são denunciados pela mídia devido a lavagem de dinheiro, desvio de verba pública, superfaturamentos, mesadas gordas e cuecas macias, o país sofre.

Por fim, reitero a destinação de meus breves argumentos: perfeita decisão (mesmo demorada) a tomada pelo Procurador-Geral da República, referente a invalidação de cargos daqueles picaretas (vulgo: deputados), no Governo. A atitude tomada para mudanças mais efetivas começa a dar brilho. A voz do povo começa a ser ouvida. Agora resta-nos acompanhar com atenção os próximos movimentos na capital federal. Pode ser o momento de uma vitória democrática na história para todos, e não de alguns poucos.

VÍDEOS:




(Re-)Leia também:

A MÁFIA NOS TRANSPORTES

O BRASIL NECESSITA DE UMA CONVULSÃO SOCIAL

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A SOCIEDADE ESTÁ MEDROSA POR TUDO

Vi um dia desses na televisão, em um programa de canal fechado, uma discussão sobre o atual comportamento da sociedade brasileira. Era posto em pauta a forma de relacionamento entre os indivíduos e o meio com a liberdade. E, um dos convidados pelo programa falou algo que me chamou a atenção: “Por não conhecermos as pessoas que nos cercam, vivemos condenados ao medo e ao constante estado de apreensão”.

Fui refletir sobre aquela frase, e cheguei a conclusões quase certas e notórias: vivemos em um binômio de segurança-insegurança. Quantas famílias pagam condomínios caríssimos, investem na blindagem de seus carros e chegam ao cúmulo de vigiar/rastrear seus filhos. Não seria demais pensar nisso, enquanto uma sociedade vive em constantes ondas de criminalidade, por sujeição dessas condutas.

A necessidade de liberdade para qualquer ser humano instiga-o a se desamarrar de toda uma cadeia que a ele foi imposta. Cadeia esta envolta pela família, pela Igreja, pelo Governo que não estruturam harmoniosamente a cabeça de futuros adultos. Assim, esses futuros adultos passam por crises de idade e não sabem como agir em determinadas circunstâncias da vida. Por exemplo, quando um casal resolve se casar mas ainda tem medo de abandonar as mordomias de solteiro.

Da frase dita pelo convidado ao programa de canal fechado, pode-se ver também que as crianças sofrem. Elas são privadas de se divertirem por estarem aprisionadas dentro de casa. Isso me veio quando ouvia a uma rádio de notícias, em que Gilberto Dimenstein concluía essa ideia: “a criança tem sido tanto superprotegida pelos pais por causa da crescente violência, que os pequenos vêm gerando doenças como a obesidade.” Vejam só! É um mal que leva a outro mal. Mas, infelizmente essa foi a única solução encontrada para a não ocorrência do pior.

Então, eu poderia tentar resolver uma questão: será que a sociedade está doente por uma psicopatologia (copiando Lúcio Malagoni, do O Popular) que é fácil de ser diagnosticada e difícil de ser curada? Provavelmente sim. Não seria trabalhoso apontar problemas para as causas das inúmeras dificuldades do meio humano. A questão é como resolvê-las. Quando isso tiver sido descoberto, enfrentado e combatido eu serei o primeiro a derrubar o meu muro.

Leia também:

TEMPOS DE CONSCIÊNCIA