"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

sábado, 10 de dezembro de 2011

CONSERVAR O PASSADO E CONVIVER COM O PRESENTE É POSSÍVEL

A recente explosão das diferentes formas de tecnologia que têm adentrado na sociedade são nostálgicas e ao mesmo tempo assustadoras. Nostálgicas, pois mostram que todos podem utilizá-las de maneira benéfica na difusão de opiniões e conhecimento, por exemplo, através da internet. E, assustadoras, no sentido de como elas influenciam a vida de cada pessoa.

É inegável que o uso do papel para muitos ainda se faz indispensável. O cheiro, a textura, o toque são – sem sombra de dúvidas – apreços da época de que surgira a novidade do papel impresso. Hoje, isso vem perdendo espaço para os tablets, os e-books, que funcionam como “imensas bibliotecas” virtuais. Porém o mal uso dessa tecnologia gera problemas a seus usuários.

A maioria daqueles novos usuários que utilizam a ciência dos livros digitais, estão desenvolvendo incapacidade de concentração para realizar uma simples leitura. Algo preocupante, porque afeta diretamente a possibilidade da pessoa em concluir com sucesso algum trabalho importante ou tirar conclusões rápidas e precisas. Isso resulta de uma geração que nasce envolvida nesse universo, e que se apega à execução de múltiplas tarefas.

Não se deve repudiar a entrada de novidades em um mundo que deveria ser mais palpável como dos livros, mas sim, harmonia. Faz-se necessário o equilíbrio entre o tradicional e o moderno. Por isso, romper com o passado seria quebrar uma norma de conduta bem estipulada, apesar de pouco trabalhada durante os anos com tais gerações.

Assim, tomar uma posição quanto à presença da interação conservadora e da interação dinâmica na sociedade seria o melhor caminho. Juntas – interação conservadora e interação dinâmica – somente têm coisas a somar diante à sociedade. Mas claro, dentro de certos limites. Respeitando-as será possível conviver com o velho e o novo de forma mais saudável e compreensiva.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A COMPLICADA CONVIVÊNCIA HUMANA


Um dia desses, ao rodar os canais da tevê à procura por alguma diversão, caí em um programa de debates cujo tema era: “pluralidade humana – como conviver com isso?”. Achei legal a abordagem do programa (que havia começado), e acabei cedendo ao canal. A direção do programa juntou pontos de vistas bem opostos para proporcionar, assim, visões diferentes em prol da discussão, alguns de cientistas políticos, outros de religiosos.

Minha mãe sempre me ensinou a ser respeitoso e educado com qualquer pessoa, ter paciência e ser gentil. Pouco diferente da maioria das pessoas, creio, porém colocando em prática , ao máximo, estas virtudes. Mesmo com o já dito, ainda é difícil analisar as ideias de alguém ou vê-las como melhores que a nossa. Essas considerações foram feitas por um articulista no programa, que completou sua fala com uma pergunta: “Por que é tão complicado admitir o próximo como ele realmente é?”.

A resposta para a questão é complicada. A sociedade hoje está pluralizada, cheia de novos estilos misturados a preconceitos de naturezas diversas. Os mais comuns são de ordem racial, religiosa, econômica ou social. Dentre as citadas, as duas primeiras estão em realce. No programa, certo religioso defendia a concepção de não haver outra fé melhor senão a evangélica. Lá, repudiou crenças de origem africana – candomblé, umbanda – e classificou-as como do demônio. Também criticou os santos católicos, além disso. Puro preconceito.

Normalmente, a falta de tolerância advém da ausência de conhecimento que é fruto da descoberta e do diálogo entre as pessoas. Toda pessoa tem algo para dizer e ensinar, motivos estes de sobra no constante aprendizado da vida. No momento em que o homem perceber a real importância da socialização e entender melhor as inúmeras variantes participantes dela, estará mais apto a conviver com seus semelhantes. Vejo aí a atuação pertinente de minha mãe para mim.

Por fim, as coisas mudarão no instante em que o homem aprender a escutar e compreender o outro. Ele mesmo não é perfeito, razão pela qual faz-se impossível se julgar superior. Assim, nunca será fácil ter um dia a dia com alguém, entretanto, as dificuldades podem ser minimizadas. Coadunar isso pode ser a fórmula de uma pequena-grande felicidade. Basta cada um saber como encontrá-la e usá-la.

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domingo, 20 de novembro de 2011

A DISTORÇÃO DA FELICIDADE


No contexto em que a sociedade do século XXI se encaixa hoje, viver o sentido da palavra felicidade é regra, o que se faz um problema. Não que compartilhar o conceito desse substantivo seja um encalço, mas sim a forma deturpada com que ele ganhou ao passar do tempo. Extirpar os momentos de sofrimentos ou dor da vida e recheá-los de descontração, alegria e risos, é melhor que a realidade. Infelizmente, as pessoas estão caminhando nessa direção, e não percebem como pode ser difícil sair dela depois, visto que é prejudicial a formação da pessoa a “maquiação” de sua vida.

O sistema capitalista foi um dos principais causadores da mutação do verdadeiro ser feliz. Formatando um mecanismo de consumo em que cada pessoa gasta seu dinheiro com mercadorias e produtos, empurrados pela mídia sensacionalista, vendem a ideia de se investir no momento, no presente. Isso porque não importa o dia seguinte, o mês seguinte, o futuro. O importante é viver o instante. Assim caracterizou Luciene Godoi em seu artigo no O Popular: “vivemos a era do gozo”.

As pessoas pouco foram instruídas a criticar os fatos à sua volta, então deixam-se levar pelas vontades instituídas pelo sistema. Ou seja, agem no intuito de agradar aos outros, tão pouco a si. Isso fica claro nas relações entre adolescentes. Segundo Gilberto Dimenstein, em seu texto pela Folha de S. Paulo, os jovens passam por uma fase de transição complicada. Pois, além de conviverem com a pressão social – devido a temas diversos –, passam por crises de frustração, baixa autoestima e a necessidade de testarem certos limites.

Para a construção psicológica e moral de um indivíduo dotado de sentimentos verdadeiros – e não manipulados pela massa –, pode ser conveniente os sobressaltos da vida. A partir disso, moldar um ser humano capaz de enxergar a real noção da felicidade ficaria menos complicada. A relação entre as pessoas seria diferente e, talvez, mais harmônica e fraterna. Evitar as frustrações e a dor dos caminhos da vida de alguém, é negá-la de viver a completa felicidade advinda por um momento futuro (a sabedoria talvez).

Por fim, a era do gozo está presente no meio social. E sendo ela proporcionada pelo princípio do consumismo, cabe a cada um atentar-se a intervenção que ela fará em seu dia a dia. Não há significado em viver “plenamente feliz” nesse tipo de era. É preciso introspecção, reflexão. Atingir esse estágio de pura submissão ao sistema, implicaria em um perda substancial das pequenas felicidades da vida. E, portanto, da autêntica denotação de ser feliz.

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